Estamos no começo de um novo ano, sendo a todo o momento, bombardeados pela informação e também pelo conhecimento. Presenciamos, a cada instante, as mudanças céleres e sem limites, em todas as áreas do saber. Na segurança individual e coletiva, enfrentamos o desafio de permanecermos vivos e atuantes. E, nesse cenário, a violência continua evidenciando as suas nefastas e tristes marcas, em todos os pontos do país e do mundo.
O capitalismo continua ditando as normas. A competição, no processo de globalização da economia, é o agente fomentador que mobiliza as pessoas e as organizações rumo ao crescimento sempre à custa do lucro. A concorrência desenfreada e egoísta destrói pessoas e organizações de diversos ramos. Por isso, as datas viram símbolos de comércio. Está aí o Natal, provando mais uma vez a mudança de significado. Ao invés da reflexão sobre o nascimento e a missão de Jesus Cristo, pensamos mais em Papai Noel. Pensamos muito nos bens materiais, incentivados pela mídia que apela para o mercado imediatista de compra e a venda.
Precisamos ficar atentos às inovações que aparecem em todas as áreas. Às pessoas e às empresas, não basta só o conhecimento, sob a ótica tradicional. No comércio eletrônico pela Internet, compra-se de tudo. Não existe fronteira geográfica que impeça o seu avanço. Mudam-se rapidamente as relações comerciais. O dinheiro de papel vira dinheiro eletrônico e serve de moeda para compra e venda de quaisquer produtos ou serviços.
Assim, do mundo dos negócios aos valores e sentimentos individuais e familiares, tudo sofre alterações. Isso a internet coloca à disposição de consumidores e clientes de diversas classes sociais.
As competências e os perfis profissionais transformam-se, integram-se, dinamizam-se, surgem e até desaparecem rapidamente. Muitos postos de trabalho são extintos. Outros são integrados e recriados com novas roupagens do mundo virtual. Muitas transações bancárias, diariamente, são efetivadas num piscar de olhos pela internet, em qualquer lugar do mundo. No entanto, o desemprego permanece. O subemprego torna-se cada vez mais evidente.
É preciso visão histórica e atualizada. O olhar e a decisão políticas caminham a passos largos e o globalizado é o limite da abrangência. Daí, a criatividade e a esperteza nas ações e decisões serem definidas como competências essenciais e expoentes das pessoas que são bem sucedidas no mundo atual. Esquecem-se, na maioria das vezes, a cooperação, a inclusão social e o amor ao próximo.
Como toda mudança gera medo, é importante o preparo das pessoas para enfrentar o dia-a-dia com segurança e determinação. Nessa perspectiva, neste começo de ano novo, espera-se que tenhamos incentivadas relações solidárias e amigáveis, a fim de diminuir ou banir a chama destruidora do egocentrismo, da ganância, da prepotência e do individualismo.
Ao planejar um produto para lançar no mercado, os empresários deveriam pensar mais nos usuários e no ambiente em que vivemos. Ouvir os prováveis consumidores seria um bom começo para antecipar a capacidade de resolver conflitos. Por isso, na comercialização de um produto ou realização de um serviço não se deveria, em momento algum, trabalhar em ambientes de incertezas ou riscos. Cuidar dos contextos e das peculiaridades locais, regionais, nacionais e mundiais é tarefa de cada um de nós.
Sabemos que a vida é um misto de contradições. E a realidade está aí para provar isso. Diariamente, somos imersos em ambientes de alegria, de dor e de sofrimento. Portanto, não nos esqueçamos de continuar lutando para que se consolidem as práticas honestas, éticas e justas, a fim de diminuir ou mesmo quebrar os elos da crueldade, do desamor, e da perversidade que continuam comandando a sociedade de consumo no terceiro milênio.
Portanto, as organizações precisam estabelecer alianças comunitárias para acabar com a injustiça social. Acabar com a fome, a pobreza, o descaso e a insensatez que se enraízam em grande parte do Mundo. Torna-se inadiável a implantação de programas consistentes nas áreas de saúde, moradia, educação e geração de emprego e renda. Se não forem socializados os bens, os produtos e os serviços essenciais e imprescindíveis para a vida, o sofrimento humano continuará. E a velha pergunta tornar-se-á cada vez mais nova. Para que serve toda a sabedoria acumulada pela humanidade?
Almejamos a todos um venturoso, feliz, fraterno e amoroso ano de 2010!
*NOEL ALVES CONSTANTINO é escritor, formado em pedagogia, psicanálise, ciências e professor efetivo do IFRN.