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Filme que retrata as contradições de um país em permanente crise

Um filme que faz a analogia entre o antigo comércio de escravos no Brasil e a atual exploração da miséria pelo marketing social, formando uma solidariedade de fachada, terá duas exibições à disposição do público que comparecer à 3ª edição do ‘HackFest Contra a Corrupção’, promovido pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), no período de 9 a 11 de junho, no Espaço Cultural José Lins do Rego, localizado à Rua Abdias Gomes de Almeida, 800, no Bairro de Tambauzinho, na capital paraibana.

A produção cinematográfica é o ‘Quanto Vale ou é Por quilo?’, um filme brasileiro de 2005, do gênero drama, dirigido pelo cineasta Sérgio Bianchi. Com uma hora e 44 minutos de duração, o filme será exibido no Cine Bangüê do Espaço Cultural em duas sessões: uma no sábado (10), às 18h, e a segunda no domingo (11), às 16h.

O roteiro da produção é assinado por Sérgio Bianchi, Eduardo Benaim e Newton Canitto. No elenco, nomes de destaque nacional, como os atores Antônio Abujamra, Caio Blat e Herson Capri e as atrizes Zezé Motta, Joana Fomm e Bárbara Paz. O diretor Sérgio Bianchi Sérgio Luís Bianchi estudou cinema em Curitiba (PR) e posteriormente em São Paulo, onde se formou na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), em 1972.

Ao todo, a programação do RackFest 2017 oferecerá 30 horas de atividades para atender aos cerca de três mil participantes esperados para o evento (entre maratonistas, público e agentes de órgãos públicos, de universidades etc.). Idealizado pelo MPPB, por meio do seu Núcleo de Gestão do Conhecimento e Segurança Institucional (NGCSI), o ‘HackFest Contra a Corrupção’ é uma maratona hacker de programação que pretende, por meio do desenvolvimento de soluções tecnológicas, envolver a sociedade no combate à corrupção.

O filme

Nos dias atuais, uma organização não governamental (ONG) implanta o projeto ‘Informática na Periferia’ em uma comunidade carente. Arminda, que trabalha no projeto, descobre que os computadores comprados foram superfaturados e, por causa disso, precisa agora ser eliminada e Candinho, um jovem desempregado cuja esposa está grávida, torna-se matador de aluguel e um dos mais competentes, para conseguir dinheiro para sobreviver.

O filme ‘Quanto Vale ou é Por Quilo?’ começa como uma narrativa histórica clássica, em pleno Brasil colônia. Na cena de abertura do filme, Bianchi remete o expectador a um episódio envolvendo uma negra forra, interpretada por Zezé Motta, e o rapto de seu escravo por um proprietário branco, encarnado por Antônio Abujamra. Decidida a fazer valer um direito seu que fora desrespeitado, a ex-escrava segue os capitães-do-mato, munida dos papéis que lhe asseguram a posse de seu escravo, legalmente adquirido.

O episódio se conclui com seu posterior julgamento e condenação por invasão de propriedade do senhor branco. A cena, congelada, dialoga com a linguagem da televisão moderna. A estrutura narrativa dessas cenas, graças à locução em off comentando o episódio e cortes rápidos, com espaço reduzido para a exploração dramática do personagem, lembra os documentários televisivos.

O filme faz uma analogia entre como eram os costumes e os métodos das classes dominantes no período colonial e a exploração das classes menos favorecidas da atualidade, por meio de cenas que exibem os dois momentos de forma alternada e possibilitam uma comparação entre esses por parte do telespectador.

Os episódios, extraídos dos autos do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, mostram exemplos de uma crítica à beneficência social, às ong’s e ao conceito de responsabilidade social das empresas. O discurso da participação e da postura politicamente correta, para o diretor, representa a última palavra em matéria de exploração da mão-de-obra barata e da mais valia. As ong’s surgem para preencher a fragilidade do Estado-Nação dentro do capitalismo global no âmbito social.

O filme de Bianchi se vale do discurso jornalístico para apresentar seus personagens e contar uma boa história querendo revelar as mazelas e contradições de um país em permanente crise de valores. Para cumprir essa função, a narrativa vai se valer dos dois recortes temporais previamente explicados: o Século XVIII e os tempos atuais.

Alerta também para questões que parecem ter ficado no passado, mas que ainda existem atualmente, como a luta pelos direitos democráticos, a discriminação contra negros e pobres, o desrespeito, a lavagem de dinheiro, a corrupção, dentre outros. O que mudou foi a roupagem, o opressor é o mesmo. Sendo assim, este é um excelente filme para ser trabalhado em sala de aula, possibilitando o desenvolvimento crítico e reflexivo dos alunos.

‘Quanto Vale ou é Por Quilo?’ não questiona apenas a falência das instituições no país atual. Seu discurso analógico coloca o antigo comércio de escravos e a exploração da miséria pelo marketing social como imagens separadas que se articulam em uma montagem para dizer que o que vale é o lucro, não importando se esse é obtido com a venda de um escravo ou através de projetos sociais com orçamento superfaturado.

A colagem de gêneros – institucional, histórico, reportagem, publicitário, ensaio – é alinhavada muitas vezes pela narrativa em off, sempre em terceira pessoa, no melhor estilo jornalístico, e também ajuda a compor essa sensação de fragmento, de descontinuidade, de sobreposição em camadas, como os layers produzidos pelos modernos softwares de edição de imagens. O que condiz com o caleidoscópio cultural que representa a própria televisão.

Dia 10 de junho (sábado)
# das 18h às 19h30 (Cine Bangüê): Filme: ‘Quanto Vale ou é Por quilo?’.

Dia 11 de junho (domingo)
# das 16h às 17h30 (Cine Bangüê): Filme: ‘Quanto Vale ou é Por quilo?’.

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