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Transposição é a saída para os males da seca

Mergulhando na história descobrimos que uma das mais ricas civilizações do mundo antigo, os egípcios, tiveram no rio Nilo sua fonte de riqueza e vida. Para eles havia uma sagrada simbiose entre o Nilo e todos os reinos vivos da terra. Nada havia na natureza que dele não dependesse. Dando saltos no tempo, e chegando ao longínquo século XXI, descobrimos que um outro rio, bem menor que Nilo, também é responsável pela ascensão econômica de centenas de pessoas.

O rio São Francisco, que poderá ser usado para matar a sede de 12 milhões de brasileiros. Principal projeto hídrico em andamento no Brasil que quando estiver pronto irá beneficiar mais de R$ 12 milhões de nordestinos, a Transposição de Águas do Rio São Francisco, é apontada por muitos como a obra do século, e redenção do Nordeste. Só muitos nordestinos estão céticos, e não acreditam que a obra será concluiía.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba – FIEP, Francisco Benevides Buega Gadelha, não tem dúvida que a transposição é a saída para acabar com o sofrimento do nordestino causado pela seca. Para ele, a transposição, será fundamental para acabar com a indústria da seca que alimenta milhares de políticos. Devemos insistir e pressionar os nossos parlamentares. Não consigo entender hoje em dia porque os políticos não fazem mais oposição ou não reagem contra algo que está sendo feito contra a população. O presidente Lula deixou as águas do São Francisco a vinte quilômetros de Monteiro e de lá pra cá nada mais foi feito, houve até um retrocesso com a quebra de alguns canais. Observamos que nada mais vem acontecendo” – disse Gadelha.

O Açude Boqueirão de Cabaceiras é o manancial responsável pelo abastecimento d’água de Campina Grande e mais 17 sedes de municípios com inúmeros distritos, com uma população estimada em 1.000.000 (um milhão) de habitantes, e que já está com a capacidade de acumulação reduzida em cerca de 50% e as perspectivas de chuva para os anos 2013, 2014 e 2015 são de 20% abaixo da média histórica.

O Projeto A região Nordeste possui 28% da população brasileira e apenas 3% da disponibilidade de água. O rio São Francisco apresenta 70% de toda a oferta regional. As bacias do semiárido setentrional têm uma oferta hídrica per capita bem inferior à considerada ideal pela Organização das Nações Unidas (ONU), que é de 1.500 m3/hab/ano. A disponibilidade no Nordeste Setentrional por habitante ao ano é de em média 450 m3/hab/ano.

O projeto São Francisco estabelece a interligação da bacia hidrográfica do rio São Francisco, que apresenta relativa abundância de água (1850 m³/segundo de vazão garantida pelo reservatório de Sobradinho), com bacias inseridas no Nordeste Setentrional, com água para consumo humano e animal. As bacias beneficiadas pela água do rio São Francisco serão a Brígida, Terra Nova, Pajeú, Moxotó e Bacias do Agreste, em Pernambuco; Jaguaribe e Metropolitanas, no Ceará; Apodi e Piranhas-Açu, no Rio Grande do Norte; Paraíba e Piranhas, na Paraíba.

O Projeto São Francisco vai além dos eixos Leste e Norte. Contempla diversas obras existentes ou em construção que aumentam o alcance do abastecimento de água. Entre esses empreendimentos estão a Adutora do Agreste (PE), Vertentes Litorâneas (PB) e o Eixão das Águas (CE), que já atende a região metropolitana de Fortaleza, a partir da captação d’água no açude Castanhão e receberá água do rio São Francisco do Eixo Norte.

Quando estiver pronto, a transposição beneficiará populações dos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, mudando a face rural da região. No projeto destacam-se o aumento da garantia de oferta hídrica proporcionada pelos maiores reservatórios estaduais; redução dos conflitos existentes nas bacias dos estados; melhor distribuição espacial da água ofertada pelos açudes estaduais; e abastecimento seguro para os municípios. Serão beneficiados diretamente 391 municípios.

O projeto contempla 38 ações socioambientais, com o investimento de quase R$ 1 bilhão. Na lista, destacam-se as vilas produtivas, o abastecimento de água para populações difusas, ações de preservação da fauna e flora, apoio a comunidades indígenas e quilombolas, controle da qualidade da água e trabalhos de arqueologia.

Desde 2011, o Ministério da Integração Nacional realiza o acompanhamento das obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco por meio de seis etapas úteis, três para cada eixo.

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, garantiu que terminarão as obras da transposição do Rio São Francisco, serão concluídas em 2015. Segundo Fernando Bezerra, as obras envolvem 4.150 pessoas e mais 4 mil trabalhadores devem ser mobilizados até julho. O ministro informou que o eixo norte já está em fase de remobilização e espera que o eixo leste, que está em fase de término de licitação, possa ser remobilizado até agosto.— A nossa expectativa é que em 2014 a gente tenha 100 quilômetros de água no eixo leste e 100 quilômetros de água no eixo norte, e todo o empreendimento concluído até o final de 2015 — estimou Bezerra.

No eixo Leste, a captação no reservatório de Itaparica até o reservatório Areias (meta 1L), ambos em Floresta (PE). É uma meta piloto para testes do sistema de operação. Já as obras entre a saída do reservatório Areias e o reservatório Barro Branco, em Custódia (PE) (meta 2L), deverão ser concluídas no final de setembro de 2014. O trecho entre o reservatório Barro Branco e o reservatório Poções, em Monteiro (PB) (meta 3L), deverá ser finalizado em dezembro de 2014.

Já no eixo Norte, as obras de captação do rio São Francisco, no município de Cabrobó (PE), até o reservatório de Jati, em Jati (CE) (meta 1N) estão previstas para serem concluídas em setembro de 2014. O trecho entre o reservatório Jati e o reservatório Boi II, no município de Brejo Santo (CE) (meta 2N), deverá ser concluído em dezembro de 2014. As obras entre o reservatório Boi II e o reservatório Engenheiro Ávidos, no município de Cajazeiras (PB) (meta 3N), estão prevista para serem entregues em dezembro de 2015.

Com 43% de suas obras prontas, o Projeto de Integração do São Francisco deverá inaugurar uma nova política de segurança hídrica no Brasil, o que vai assegurar abastecimento não só para consumo humano, mas para o desenvolvimento socioeconômico de toda a região Nordeste. São mais de R$ 30 bilhões em investimentos.

É a maior obra estruturante do Nordeste quando estiver pronta vai mudar a face rural do Nordeste beneficiando mais de 12 milhões de nordestinos nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco.

Severino Lopes
PBAgora

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